Jornalista Ana Cristina Pereira lança livro sobre história da comunidade cigana em portugal
A jornalista Ana Cristina Pereira lançou no passado mês de maio o livro “Portugueses ciganos, Cinco séculos de resistência” que parte de 1509 para mostrar, hoje, “a pluralidade da população portuguesa cigana”, informou o meio de comunicação Conta Lá, que republicou uma entrevista feita pela Agência Lusa.
Desde o primeiro “registo conhecido de anticiganismo em Portugal”, assinado em 1509 pelo rei D. Manuel I, a pedir que saiam de Portugal, a jornalista traça um caminho até aos cerca de 70 mil portugueses ciganos dos dias de hoje, retratando “o passado e o presente desta minoria em Portugal”, como pode ler-se na sinopse.
A jornalista recupera a História e assina um retrato “das feiras às universidades, do futebol de elite aos acampamentos nómadas”, mas também um novo ativismo cigano e, do outro lado, a discriminação contra esta minoria.
Partindo do trabalho que tem desenvolvido nos últimos 25 anos, a jornalista do Público voltou às reportagens “mais significativas”, aos sítios e às pessoas com que tinha contactado, mas também aos arquivos e à Academia para olhar para o fenómeno do maior número de perspetivas possível.
“Quando se desconhece a História não se entende o presente da população cigana. Não se vê as raízes da marginalização. Os problemas sociais graves são encarados como ‘culturais’. Isso é terreno fértil para a reprodução de ideias como: ‘são todos iguais’, ‘não se querem integrar’, ‘gostam de viver assim’. As pessoas ciganas não são julgadas pelo que são, mas pelo grupo de pertença. Legitima-se a desigualdade, a exclusão, a discriminação”, explicou.
Lançado pela Fundação Francisco Manuel dos Santos, a autora de “Mulheres da minha ilha, mulheres do meu país” ou “Movimento Perpétuo” olha, na nova obra, para questões como o anticiganismo, a História e o quotidiano das pessoas ciganas, as “pequenas e grandes exclusões”, saindo do estereótipo para mostrar “a pluralidade da população portuguesa cigana”.
O livro analisa políticas públicas ao longo de 500 anos e “desmonta a construção histórica da figura do cigano”, procurando revelar dinâmicas e tensões internas, focar o papel das mulheres na mudança e questiona como os ‘media’ e a democracia se relacionam com esta minoria, convocando as pessoas “para pensar sobre tudo isto”.
Também muitas pessoas ciganas “crescem sem conhecer a sua História”, lembrou, e por isso compreendem menos bem o ódio ou a diferença com que são tratados.
Ana Cristina Pereira, licenciada em Comunicação pela Universidade do Minho, é repórter do Público desde 1999, dedicando-se em particular ao tratamento de temas de direitos humanos e exclusão social.