"Não é uma etnia que vai definir as pessoas" - Talina Lucas
A jovem Talina Lucas, estudante na faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, declarou, em entrevista à associação Rizoma, que, ao longo da sua vida só sentiu discriminação num episódio específico que ocorreu na sua infância, mas que, mesmo sem saber, acabou por ajudar a combater o preconceito que há face à comunidade cigana.
Talina nasceu numa família inteiramente cigana, com exceção do padrasto, e viveu a infância dividida entre Elvas e Águeda, para onde se mudou após a separação dos pais.
A jovem cresceu junto do irmão, apenas 11 meses mais novo, com quem partilha "todas as memórias" mais marcantes da infância.
Apesar de ter crescido rodeada de primos dentro da comunidade cigana, Talina diz que a maioria dos seus amigos sempre esteve fora dela.
"Sempre nos integrámos muito bem", afirma, referindo-se também ao seu irmão, acrescentando que ainda hoje mantém amizades desde os tempos da primária.
A estudante considera ter tido uma boa experiência no sistema de ensino, com professores que nunca fizeram distinção entre alunos ciganos e não ciganos.
Recorda, no entanto, um episódio no segundo ano de escolaridade, quando uma mãe se opôs a que fosse integrada na turma da filha por temer que "ia destabilizar" o grupo.
Na altura, os pais protegeram-na da situação, e só anos mais tarde soube o que realmente tinha acontecido.
"Isso fez-me refletir", explicou.
Segundo a jovem ativista, esse foi o momento em que diz ter percebido que existia uma diferença de tratamento que "não devia haver, mas que realmente havia".
Para Talina, "não é uma etnia ou uma cor que vai definir as pessoas".