Associações ciganas alertam para risco de encerrar devido à ausência de uma estratégia nacional e de financiamento

O mediador cigano e vice-presidente da associação Letras Nómadas, Bruno Gonçalves, acusa o Governo de não ter coragem política para avançar com um novo instrumento estratégico nacional, sendo que o anterior terminou há mais de dois anos, numa entrevista dada à agência Lusa e republicada por outros meios de comunicação sociais portugueses.

Bruno Gonçalves frisa, por outro lado, que tem havido falta de financiamento e lamenta os casos em que associações já encerraram ou que estão em vias de fechar devido à falta de verbas.

Segundo o ativista, “só Portugal e Malta [na União Europeia] não adotaram a nova geração de estratégias nacionais".

De acordo com a mesma fonte, apesar de o Governo ter anunciado, há vários meses, que o documento estratégico estava em fase de preparação para consulta pública, as associações continuam sem mais informações sobre o processo.

Para si, a demora traduz-se num “andar para trás”.

"Tenho informação de quatro ou cinco associações que, até ao final do ano, vão fechar as portas porque não conseguem sobreviver", disse.

Para o ativista, esta questão pode prejudicar diretamente as mulheres ciganas, cujo papel na liderança associativa tem sido crescente, e pode resultar numa perda no trabalho de capacitação desenvolvido ao longo dos tempos.

O Dia Nacional da Pessoa Cigana assinala-se a 24 de junho, sendo que a data coincide com a festa popular de São João Batista, um santo de grande devoção e tradição festiva entre as comunidades ciganas portuguesas.

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