Ator Vicente Gil defende representatividade cigana na televisão
O ator Vicente Gil reconheceu no programa Alta Definição, transmitido em meados de dezembro, que não apresenta a imagem estereotipada de um cigano e defendeu que é necessário existir uma maior representatividade da comunidade na televisão.
“Eu não pareço cigano
porque não correspondo
àquela imagem pejorativa.
É importante que as pessoas
se deparem comigo”
Vicente Gil
Na conversa guiada pelo diretor de programas da SIC, Daniel Oliveira, o ator falou, sem tabus, da sua origem cigana, do impacto que o preconceito tem tido ao longo da sua vida e a importância da existência de uma maior representatividade na televisão portuguesa.
Nascido e criado no Porto, Vicente Gil recordou uma infância marcada pelo contacto com a cultura, incentivado pela mãe - que caracteriza como “sendo uma grande mulher cigana” - a frequentar teatros, concertos e outros espetáculos da cidade.
“É importante existir um ator cigano, licenciado, lourinho e lavadinho na televisão portuguesa”, afirmou, sublinhando que não corresponde à imagem pejorativa frequentemente associada aos ciganos.
“Eu não pareço cigano porque não correspondo àquela imagem pejorativa. É importante que as pessoas se deparem comigo”, reiterou, de acordo com a mesma fonte.
Embora reconheça que nem sempre existe uma intenção deliberada de discriminação, o ator considerou que as instituições continuam a reproduzir esse tipo de práticas.
Ainda jovem, participou em projetos de teatro comunitário em bairros da periferia, experiências que viriam a consolidar a sua vocação artística, segundo noticiou a SIC Notícias, que citou a entrevista ao Alta Definição.
Além do trabalho em televisão, Vicente Gil integrou também projetos de cinema, tendo colaborado com a realizadora Leonor Teles na curta-metragem “Cães que Ladram aos Pássaros”.