Leona Fonseca considera que Dia Internacional das Pessoas Ciganas é uma efeméride com pouco impacto

A influenciadora Leona Fonseca, com milhares de seguidores nas redes sociais, lamenta que a efeméride, que se assinala a 08 de abril, tenha poucos efeitos no dia-a-dia e que a comunidade cigana permaneça alvo de estereótipos.

“ O Dia Internacional das pessoas ciganas, é uma data simbólica, mas que, na prática, não traz grandes avanços, nem conquistas para a comunidade ”

Questionada sobre a importância deste dia, lamentou que, tal como acontece, por exemplo, com o Dia Internacional da Mulher, é uma data simbólica, mas que, na prática, não traz grandes avanços, nem conquistas para a comunidade.

Foi precisamente a 08 de abril que Tânia Fonseca - mais conhecida por Leona Fonseca devido ao seu cabelo - lançou vídeos explicativos na rede social TikTok em que contextualizava que a comunidade tem uma língua, uma bandeira e um hino próprios.

Começou assim uma série de vídeos, que podem ser vistos na sua rede social, com conteúdos educativos sobre a cultura cigana onde partilha, nomeadamente, curiosidades e ajuda também a combater o preconceito. 

O conteúdo dos vídeos começou a suscitar cada vez mais o interesse das pessoas e, consequentemente, o número de seguidores de Leona começou a aumentar muito rapidamente.

"De 100 seguidores passei para 20.000 de repente", explicou a influenciadora que já ultrapassou os 185.000 no TikTok.

Segundo a Leona, existem ainda estereótipos "ridículos associados à comunidade cigana", como, por exemplo, a crença de que as mulheres ciganas não comem à mesa, ou que existe mutilação genital feminina dentro da comunidade, o que, segundo explicou, vai contra tudo o que é defendido na comunidade: a proteção da mulher. 

A criadora de conteúdos sublinhou que muitos destes estereótipos resultam de desinformação e repetição de ideias erradas.

"As pessoas replicam o que ouvem sem saber", afirmou.

Relativamente ao noivado infantil, frequentemente associado à comunidade, Leona Fonseca explicou que se trata de uma prática simbólica e que, muitas vezes, não é vinculativa. 

A influenciadora considera que estas perceções contribuem para a estigmatização da comunidade cigana, defendendo a necessidade de maior esclarecimento público.

Por outro lado, lamentou também que o anticiganismo esteja cada vez pior na sociedade portuguesa, até porque agora há maior legitimação.

"Antes as pessoas escondiam-se. Agora já não há vergonha nenhuma porque já têm alguém que legitima este tipo de discurso", disse.

O Dia Internacional das Pessoas Ciganas é celebrado a 08 de abril, data instituída no I Congresso Mundial Romani em Londres, em 1971, para promover a inclusão, cultura e História do povo cigano, além de combater preconceitos.

Nesse congresso foram ainda definidos a bandeira e o hino da comunidade.

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