Luciana Cambão não esconde as suas origens e prefere o diálogo no combate ao preconceito

A jovem cigana de 24 anos admite ter vivido situações de preconceito durante o percurso académico, mas diz que optou sempre pelo diálogo e pelo afastamento de contextos hostis.

“No início da faculdade, dei-me
com duas colegas
que percebi depois serem muito preconceituosas”

“No início da faculdade, dei-me com duas colegas que percebi depois serem muito preconceituosas”, relata Luciana Cambão.
“Nunca me diziam nada diretamente, mas eu sentia a intenção”, acrescenta. A estratégia passou por observar e proteger-se. “Queria perceber até onde aquilo chegava. Depois afastei-me, porque não me identificava e não queria problemas”, explica.

A partir desse momento, decidiu assumir abertamente a sua identidade. “Comecei logo a dizer que tinha familiares ciganos e que era cigana. Nunca escondi”, afirma.
As reações variaram entre curiosidade e estereótipos.

“Perguntavam-me o que estava a fazer na faculdade, diziam que os ciganos não vinham para a universidade”

Em vez de se fechar, optou por explicar. “Falo muito da importância da família, de como somos uma comunidade muito unida. Tento sempre começar por aí”, diz.

Hoje, sente-se respeitada pelo seu grupo de amigas. “Brincamos até com os casamentos e essas coisas. Não há motivo para esconder”, afirma.

A jovem reconhece, no entanto, que o preconceito é mais visível fora do espaço académico, sobretudo no quotidiano. “Em Setúbal, onde estou a viver com família paterna,  vejo situações com a minha tia que eu não gostava de ver”, admite.

Diz que a diferença de tratamento está muitas vezes associada à aparência.

“Eu não tenho aspeto de cigana. A minha tia tem. E isso muda tudo”, sublinha.

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