Ser professora E cigana pode criar ponte entre escola e comunidade

A futura professora, Luciana Cambão, defende que a escola continua a ser vista por muitas famílias ciganas como um espaço de desconfiança, uma barreira cultural que precisa de ser ultrapassada com mediação e exemplos concretos.

“Há uma ideia de que
a escola vai ensinar coisas que não são supostas, ou que vai afastar as crianças
da cultura”

Para a jovem, esse afastamento é um dos grandes desafios. “Há uma barreira muito grande entre a escola e a comunidade cigana”, afirma.

É precisamente aí que vê o seu papel futuro. “Gostava de ser uma mediadora entre a escola e a cultura cigana, ajudar pais e crianças a perceber que é possível tirar partido da escola”, defende.

A jovem de 24 anos, que está a estagiar numa escola no Barreiro, lamenta não ter encontrado crianças ciganas nos contextos de estágio. “O meu objetivo era mesmo apanhar essa diversidade e não consegui”, diz.

Luciana acredita que a presença de professores ciganos pode fazer a diferença. “Estar lá como professora cigana e mostrar que é possível chegar mais longe é fundamental”, sublinha.

A jovem rejeita a ideia de assimilação forçada: “Não é deixar de ser cigano. É perceber que dá para juntar as duas coisas”, afirma.

Para si, teve o melhor “dos dois mundos” ao ter sido educada numa família mista. “Tive a educação que a minha mãe me deu e o apoio da minha família cigana. Isso fez toda a diferença”, conclui.

“Tive a educação que a minha mãe me deu e o apoio da minha família cigana. Isso fez toda a diferença”


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